Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. Tempo de absoluta depuração. Tempo em que não se diz mais: meu amor. Porque o amor resultou inútil. E os olhos não choram. E as mãos tecem apenas o rude trabalho. E o coração está seco. As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edificios provam apenas que a vida prossegue e nem todos se libertaram ainda... Chegou um tempo em que não adianta morrer. Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.

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